Alergias da primavera em cães: sintomas, causas, diagnóstico e tratamento

Cão com alergia sazonal a lamber as patas devido a dermatite atópica

Introdução

Com a chegada da primavera, os dias tornam-se mais longos, aumentam os passeios ao ar livre e muitos cães passam mais tempo em contacto com relva, pólen e outros alergénios ambientais. É também nesta altura que muitos tutores começam a notar sinais como comichão persistente, lambedura das patas, pele irritada ou infeções nos ouvidos.

Foi exatamente isso que aconteceu com à Amélia. O tutor reparou que se coçava mais do que o habitual, mordiscava as patas e abanava frequentemente a cabeça. O que parecia uma irritação ligeira revelou-se um quadro típico de alergia sazonal.

As alergias cutâneas são uma causa muito frequente de consulta veterinária, sobretudo durante os meses de primavera e verão.


Porque aumentam as alergias nos cães na primavera?

Durante esta época, a concentração de alergénios ambientais tende a subir, incluindo:

  • Pólen de árvores, ervas e flores
  • Ácaros ambientais
  • Fungos e esporos
  • Picadas de insetos
  • Contacto com plantas ou relva

Em cães predispostos, estes fatores podem desencadear respostas exageradas do sistema imunitário, provocando inflamação e prurido (comichão).

Um dos quadros mais comuns é a dermatite atópica canina, uma doença inflamatória crónica com componente genética e ambiental.

Pode consultar informação técnica sobre dermatite atópica na European Society of Veterinary Dermatology:
https://www.esvd.org


Sintomas frequentes de alergia em cães

Os sinais podem variar, mas frequentemente incluem:

Comichão persistente: Um dos primeiros sinais. Pode ser generalizada ou localizada.

Lambedura ou mordedura das patas: Muito comum em cães com alergias ambientais.

Otites recorrentes: Inflamação ou infeções repetidas nos ouvidos podem ter origem alérgica.

Vermelhidão e irritação cutânea: Sobretudo em axilas, abdómen, face e patas.

Queda de pelo ou lesões secundárias: O coçar contínuo pode provocar feridas ou infeções secundárias. Muitos tutores pensam tratar-se apenas de “pele sensível”, atrasando o diagnóstico.


Como é feito o diagnóstico?

Não existe um único teste que diagnostique “alergia” de forma imediata. O processo passa por excluir outras causas de comichão, como:

  • Pulgas
  • Ácaros
  • Infeções cutâneas
  • Alergias alimentares

Dependendo do caso, o médico veterinário poderá recomendar:

Exame dermatológico: Avaliação detalhada da pele e ouvidos.
Citologia cutânea: Para despistar infeções bacterianas ou fúngicas.
Dieta de exclusão: Importante para excluir componente alimentar.
Testes alérgicos: Em alguns casos, podem ajudar a orientar imunoterapia.

A American College of Veterinary Dermatology disponibiliza informação útil sobre diagnóstico e controlo:
https://www.acvd.org


Tratamento das alergias da primavera em cães

O tratamento depende da gravidade e da causa, mas pode incluir:

Controlo da inflamação e comichão: Reduzir rapidamente o desconforto é muitas vezes a prioridade.
Terapêuticas de longo prazo: Nos casos crónicos, pode ser necessário controlo continuado.
Cuidados com a pele: Champôs medicinais, suplementos ou dietas de suporte dermatológico podem ajudar.
Gestão ambiental

Em alguns cães, pequenas medidas fazem diferença:

  • Lavar patas após passeios
  • Evitar relva alta em dias de muito pólen
  • Aspirar frequentemente em casa
  • Controlar pulgas durante todo o ano

As alergias têm cura?

Na maioria dos casos, falamos mais em controlo do que cura definitiva. Com diagnóstico adequado e plano terapêutico individualizado, muitos cães conseguem viver com excelente qualidade de vida.

O mais importante é não ignorar os sinais iniciais.


Quando procurar ajuda veterinária?

Se o seu cão:

  • se coça diariamente
  • lambe compulsivamente as patas
  • tem otites repetidas
  • apresenta lesões na pele

deve ser avaliado.

Quanto mais cedo se intervém, mais fácil controlar a doença e evitar agravamentos.

A primavera traz muitos estímulos positivos para os cães, mas também pode marcar o início de crises alérgicas.

No caso do Tobias, reconhecer cedo os sinais permitiu controlar o problema antes que evoluísse para lesões mais graves.

Se notar comichão persistente ou alterações na pele do seu cão, fale com a sua equipa veterinária.

No Hospital Veterinário de Lisboa ajudamos a diagnosticar e controlar doenças dermatológicas, adaptando o plano a cada animal.

Ligue-nos

Ou visite-nos a qualquer hora, tentaremos responder a todas as questões dentro de 24 horas.